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Depois de levar a Internet fixa para regiões remotas, as prestadoras de pequeno porte (PPPs) querem agora também promover o acesso do 5G nessas áreas. Para o presidente da Brisanet, José Roberto Nogueira, o aumento da penetração da fibra, a liderança de mercado e mesmo a participação massiva no programa de conexão às Unidades Básicas de Saúde (UBSs) mostram a força do setor. Na visão do executivo, a capilaridade dos pequenos provedores fará a diferença real na penetração da nova tecnologia móvel. “O Brasil é dependente dos PPPs para se conectar. Então o 5G não pode ficar fora“, disse ele em entrevista ao TELETIME. A questão é que a modelagem atual poderia atrair fundos de investimento de olho no preço de espectro com desconto.

Conforme explica Nogueira, a proposta da Anatel para PPPs atualmente é estabelece relação de 10% de pagamento e 90% de compromissos de investimento do valor total do bloco regional. Sem especificar o atendimento a cidades de menor porte, contudo, isso poderia atrair empresas interessadas apenas em atender capitais e grandes centros. “Tem que vir junto com pacote de compromissos porque, se não, vai atrair fundo de investimento do mundo todo para comprar bloco de frequência barato, mas só atendendo aos locais baratos”, argumenta.  

Na contribuição à consulta pública da Anatel para a proposta do edital, a Brisanet defendeu blocos regionais propostos pela agência, mas com compromissos atrelados, usando o 5G para chegar a essas pequenas cidades. “A maioria das consultas públicas não está na linha de interiorizar. O ISP defende o modelo regional da Anatel, mas propõe que o provedor regional que adquirir o bloco de 60 MHz tem obrigação de atender a todas as cidades abaixo de 30 mil habitantes – ou seja, tenha um osso para resolver”, declara. 

O presidente da Brisanet estima que atualmente 90% de todo o dinheiro despendido pelo setor de telecomunicações está concentrado nas 300 maiores cidades, sobrando 5,2 mil municípios com os 10% restante de investimento por ter baixa atratividade econômica. Sem os compromissos, essa parcela não seria atendida nos próximos dez anos. “Por que alguém vai levar o 5G para as 140 cidades com menos de mil residências no Piauí se, mesmo em décadas, ele não consegue ter o retorno sobre investimento? Essas cidades já estariam fadadas a não ter o 5G até 2030”, coloca. Por isso, argumenta, é que os compromissos atrelem o “osso” ao filé.

Fonte: Teletime

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